Olá, Psi! Nesse quarto texto, dos 5 principais desafios que enquanto terapeutas enfrentamos ao trabalhar no atendimento a pessoas com depressão, vamos conversar um pouco a respeito da labilidade emocional que o paciente com quadro depressivo apresenta durante o processo psicoterapêutico.
Mas afinal, O Que Seria Labilidade Emocional?
A Labilidade Emocional é um estado caracterizado por grande oscilação de humor.
De modo que a pessoa muda rapidamente, de uma hora para outra, sem motivos aparentes, o humor, além da intensidade afetiva.
Ou seja é o famoso “altos e baixos emocionais”, ora a pessoa está bem, logo em seguida a pessoa está muito mal, ou seja, com uma grande variação em seu estado de ânimo.
Sendo assim, tais comportamentos que variam de choros excessivos a uma euforia desproporcional podem ser observados.

Vale destacar, que essa labilidade emocional pode ser proveniente também de estressores ambientais.
Os estressores ambientais também é um dos 5 principais desafios e já falei sobre eles no texto anterior.
Recomendo que você leia o texto anterior para saber mais detalhes e também como auxiliar seus pacientes com depressão nessa demanda.
Mas em resumo, podemos ter como exemplo alguns dos estressores ambientais, tais como:
- um problema mais grave que surgiu;
- uma discussão com um ente querido;
- o término de um relacionamento;
- e inúmeros outros…
Além disso, outros fatores que podemos considerar como influenciadores dessa labilidade emocional são:
- alterações hormonais (em mulheres, o período da TPM pode impactar negativamente o humor);
- adoecimentos fisiológicos;
- e até mesmo de um tratamento medicamentoso que não esteja sendo seguido como se deveria ou que necessita de um ajuste;
Portanto, o primeiro passo é investigar se tem algo acontecendo e, em caso positivo, trabalhar soluções e ações junto com o paciente com depressão para ele enfrentar tal problema.
Contudo, nem sempre conseguimos identificar o gatilho para essa labilidade emocional.
Entretanto, isso não deve impedir a intervenção, pois nosso foco enquanto terapeutas cognitivos comportamentais está em encontrarmos os pensamentos automáticos e comportamentos disfuncionais e manejá-los da melhor forma possível.
Saiba Que Essa Oscilação Emocional Faz Parte Do Processo Terapêutico

Um ponto extremamente importante é compreendermos enquanto terapeutas e ensinarmos aos nossos pacientes, desde os primeiros atendimentos, que as oscilações de humor fazem parte do processo psicoterapêutico.
Apesar de não desejadas, esses altos e baixos emocionais são “naturais” de ocorrerem, por assim dizer.
Costumo falar em meus atendimentos, que o processo de mudança em terapia é como a nossa própria vida – teremos momentos bons e ruins, alegrias e tristezas, mas o mais importante é que nada é permanente, portanto, a labilidade emocional que ele apresenta também não é.
Portanto, o nosso foco será ajudar o paciente a lidar com sua frustração e até mesmo vergonha de ter tido uma oscilação em seu humor.
É muito comum eles dizerem:
“Me sinto muito mal, estava indo tão bem e agora voltei à estaca zero”.
Bom, nesse caso, o nosso primeiro passo será questionar esse pensamento de estaca zero.
Eu geralmente inicio perguntando:
– Você está se sentindo exatamente do mesmo jeito que se sentia quando veio para a terapia?
– Você aprendeu alguma coisa durante o processo terapêutico?
Geralmente a resposta a primeira pergunta é “não”!
Certamente, o mais comum de acontecer é que o estado emocional do paciente frente a essa oscilação é menos intenso do que quando ele iniciou o tratamento.
Para a segunda pergunta, a resposta é “sim”, aprendeu algumas coisas importantes para ele durante a terapia.
Sendo assim, esse é exatamente o momento de resgatar a esperança e construir com ele a compreensão de que voltar a estaca zero seria voltar ao estado original.
O que não está acontecendo, e mesmo que estivesse, sem dúvidas ele pode continuar contando com o seu apoio enquanto terapeuta.
A escolha sempre é – permanecer aonde está ou se levantar e continuar caminhando!

Portanto, não podemos deixar nossos pacientes perderem de vista que a labilidade emocional, além de poder acontecer, não é permanente.
E ainda, que se continuarmos caminhando juntos, podemos resgatar aquela melhora que estava sentindo antes.
O que vamos fazer é colocar em prática algumas estratégias e traçar um plano em parceria.
Contudo, se essa oscilação persistir ou vier acompanhada de um discurso de ideação ou plano suicida, o retorno ao psiquiatra se fará necessário.
Nesse caso, se o paciente ainda não estiver em tratamento medicamentoso, será o momento de discutirem a respeito e você realizar o encaminhamento para o suporte psiquiátrico.
Além disso, investigue o nível de gravidade dessa ideação suicida e avalie as ações que serão necessárias: acionar a rede de apoio, a família, o psiquiatra etc. – cada uma dessas estratégias deve ser pensada caso a caso.
Mas, Afinal de Contas, Como Essa Labilidade Emocional Aparece no Consultório?
De um modo geral, essa labilidade emocional se apresenta como uma baixa de energia mais intensa e com o aumento de sentimentos de tristeza, angústia, solidão e em alguns casos, com pensamentos recorrentes de morte e planejamento suicida.
Vale destacar que em muitos casos o seu paciente irá verbalizar isso pra você, mas em outros nem será necessário.
Pois, dependendo do nível de impacto dessa oscilação, algumas vezes é perceptível no rosto e estado de energia do paciente.
Em raras ocasiões, o paciente disfarça o que está sentindo.
Contudo, com o aumento da sua experiência clínica, você poderá observar sinais não verbais mais sutis ou aplicar escalas que o ajudem a avaliar o estado de humor dele de maneira mais precisa.
Caso isso aconteça – do paciente não revelar o estado emocional em que se encontra – você deve analisar os possíveis motivos para isso:
- Se falta consolidar mais a relação terapêutica;
- O paciente teme ser julgado;
- Se ele está com tanta raiva de si, frustrado ou envergonhado porque oscilou novamente que não quer tocar nesse assunto;
- E ainda, o temor de que se falar o que está sentindo, pode se sentir pior do que está;
- Ou até mesmo que não tem mais jeito, então nem vale a pena insistir nesse assunto – “a depressão venceu”!
Portanto, você deve ter como foco atitudes que devem ser consideradas rotineiras no consultório:
- A conscientização do seu paciente quanto a possibilidade de que essa oscilação do estado emocional dele possa ocorrer;
- Se atenha também a consolidar cada vez mais a aliança terapêutica com ele;
- Estabeleça a esperança e ouça com empatia e acolhimento;
- Reforce o não julgamento de sua parte e discuta com ele estratégias de enfrentamento.
E uma coisa super importante:
Monitore Seu Paciente Durante o Intervalo Entre Sessões.
Eu sempre oriento meus alunos em cursos e aulas que ministro, a respeito dessa importância.
O paciente depressivo, em especial, já se sente desamparado e incompreendido pelas pessoas.
Sem dúvidas, termos um comportamento de acolhimento potencializa a relação terapêutica!
Além disso, te ajuda a pensar em estratégias de intervenção em tempo real e contribuir para que tome decisões mais assertivas para a condução do tratamento e das ações que serão necessárias.
Esse monitoramento pode ser feito por mensagens de texto ou uma ligação telefônica.
Portanto, dedique-se aos seus atendimentos.
Ajudar as pessoas a viverem uma vida livre, sem os sintomas da depressão, não é apenas um papel profissional, é também um ato de amor!
Desejo muito sucesso em seus atendimentos e em sua carreira. 😉
Comente aqui abaixo o que achou do texto, caso tenha ficado alguma dúvida também, será um prazer responder.
Ah! E se ainda não o fez, não se esqueça de ler os 3 textos anteriores sobre os principais Desafios da Depressão, links abaixo:
1. Desafios da Depressão #1: Como Motivar o Paciente Depressivo
2. Desafios da Depressão #2: Engajando a Família
3. Desafios da Depressão #3: Auxiliando o Paciente a Lidar com os Estressores Ambientais
E não perca também o quinto e último texto desta série em que falarei a respeito de um assunto pouco abordado:
A Automotivação do Terapeuta Frente Ao Atendimento Dos Seus Pacientes Com Depressão.
Um grande abraço e até o próximo texto!

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